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By Ferramentas Blog

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sábado, 10 de novembro de 2012

BLOG RETIRADO DO AR

Este blog foi retirado do ar por algumas razões.

As principais delas:

- o principal: ataques ad hominen, com divulgações falsas, do pior nível que se pode esperar. Nada, nem este blog, faz isso valer a pena. Os seguidores daquele site insistem em propagar tais informações tão baixas, sem nem ao menos verificarem a veracidade delas. Apenas acreditam. Coisa que eu sempre lutei contra, colocando as fontes, colocando as figuras e mostrando, lado a lado, a verdade.

 - plágio descarado - feito principalmente por um blog de que denomina de humor. !sto significa usar as informações aqui contidas SEM colocar a referência do blog, que se refere unicamente ao trabalho de tradução. Este, pra quem não sabe, foi extremamente exaustivo.

- minha paz e sanidade. Talvez agora a fonte de informações acabe e as traduções miraculosas parem, sem me desmerecerem tanto. Orgulho da minha parte? Não...apenas dignidade!Há muito, mas muito mais sordidez nessa história do que muitos sequer imaginam.

Novamente, nada, nem mesmo este" bloguezinho" (usado pejorativamente por aqueles) vale a pena. 

Lamento. 

Obrigada à todos! Obrigada pelas visitas e, ao contrário do que disseram, este blog não sai do ar por "incompetência" ou por inveja por falta de visitantes. Se bem que o objetivo dele nunca foi colecionar números e ser notícia na mídia!

 Abaixo, só para fechar a boca de quem lança mais esse tipo de calúnia:

O dia "hoje" refere-se a domingo, dia 11/nov/2012, às 06:46h da manhã.


Mês de junho: 20305 visitantes







Agosto: 23.367 visitantes


Outubro: 20880 visitantes.





 Não responderei nenhum comentário!

Abs 

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

UM ESTUDO DA VERDADE

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UM ESTUDO DA VERDADE

Em relação à igreja SUD, tenho algumas boas recordações dos amigos, professores, líderes da ala e outros. Por isso, sempre me esforçava para defender a Igreja de seus críticos.  
Eu realmente me sentia insultada quando os críticos acusavam os líderes da igreja mórmon de serem desonestos. Eu "sabia" que as críticas não podiam ser verdadeiras.

Como uma defensora (informal) da doutrina SUD, percebi a contragosto que, algumas vezes, aqueles acusadores  tinham os fatos ao seu lado (quando eu tinha tempo para verificar).  

Eu precisei lidar com a dissonância cognitiva de que (1) todas as organizações são dirigidas por seres humanos e, se você pesquisar bastante, é claro que você encontrará alguns exemplos isolados de erros, e (2) uma vez que os líderes são humanos, eles vão errar de vez em quando.

Eu acreditava que  exemplos isolados e ocasionais de fraude premeditada poderiam ter acontecido, mas não acreditava que esse fosse um padrão ou uma prática habitual.

Porém, às vezes, me pegava revelando menos do que toda a verdade, ou dourando a pílula, a fim de defender a igreja. Notei que os outros membros, muitas vezes faziam a mesma coisa. Eu me permiti ser um pouco desonesta, porque eu estava defendendo a igreja do Deus único e verdadeiro; portanto, eu estava muito bem fundamentada.

 Finalmente eu decidi deixar a vida e os sermões dos líderes da igreja falarem por si. Se os críticos tivessem razão, a igreja e eu lidaríamos com isso.  

Eu acreditava que as acusações, se apresentadas no contexto apropriado, provariam que a mentira não era realmente mentira. Ao contrário, as acusações provariam que o que foi tido como mentira era, na verdade, um mal-entendido, uma observação fora de contexto ou uma má interpretação deliberada dos acontecimentos históricos.  

Minha crença era de que os acusadores dos líderes da igreja, com seus artifícios, acabariam acusando a si mesmos. Isso porque, no meu coração, eles simplesmente torciam as palavras e usavam comentários fora do contexto.

Mas conforme mais eu lia a história da igreja, uma "lista" de erros e evidências crescia, e aos poucos, ocorreu-me que Joseph Smith estabelecera um padrão de fraude.  

Infelizmente, observei que os líderes da igreja, incluindo aqueles que servem atualmente, seguiram o exemplo de Smith, de "mentir para proteger a igreja". As crescentes provas apontavam para esta prática como habitual.

As evidências apresentadas neste blog mostram que, quando a imagem da igreja ou os seus dirigentes precisava de proteção, não havia (e não há) problemas em inventar uma história, enganar, inflar, minimizar, exagerar, faltar com parte da verdade ou mentir.


Você lerá citações de líderes mórmons que admitiram que a fraude é uma ferramenta útil para proteger a igreja e seus líderes "quando estão em situação difícil", ou "para vencer o diabo em seu próprio jogo". Eles admitem fazerem uma "ginástica moral" e que Deus aprova a mentira - se for para proteger a "Igreja do Senhor" ou "os líderes.




" - Urgh, que sensação horrível é essa que eu sinto na boca do estômago?"
"- Ah, é só a culpa por mentir aos investigadores sobre a história da igreja.... passa daqui a pouco."

Fiquei chocada depois que aprendi estas verdades incômodas.  

Eu ingenuamente acreditava que quando os líderes da igreja haviam transgredido, eles também haviam seguido os passos necessários ao arrependimento, como é ensinado aos membros e aos investigadores. Eu acreditava que eles tinham a coragem de enfrentar seus erros e confessar os seus defeitos, não importa quais as consequências, para viver os mesmos padrões estabelecidos para os membros.  

Eu acreditava que eles eram totalmente honestos...

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domingo, 8 de novembro de 2009

PRECONCEITO RACIAL 5 - depois de 1978

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PRÉVIO                                                POSTERIOR
APÓS A REVELAÇÃO DE 1978

O que tem acontecido na igreja mórmon após a "revelação divina" permitindo que os negros recebessem o sacerdócio e entrassem no templo?
Esta revelação mudou a situação dos membros negros? O que eles pensam sobre isso?
O manual de aula para os rapazes adolescentes que foi usado em 2008 contém uma citação de 1976 de Spencer W. Kimball, que recomenda que “as pessoas casem-se com aqueles de mesma ancestralidade racial, e de alguma forma, de mesmo nível econômico, social e educacional”. [1]

Na edição de julho de 1992 da “New Era”, a igreja publicou um encarte promovendo a igualdade racial. A foto continha vários jovens de várias raças, com as palavras “foto da família”. Abaixo da figura, encontram-se as palavras “Deus criou as raças – mas não o racismo. Somos todos filhos do mesmo Pai. Violência e ódio não tem lugar em Sua família”. [2]

O historiador mórmon Wayne J. Embry entrevistou vários negros mórmons em 1987 e escreveu:
“Todos os entrevistados reportaram incidentes ruins por parte de membros brancos, uma relutância ou recusa de apertar as mãos deles ou sentarem-se com eles, e comentários racistas dirigidos à eles.”
Embry posteriormente publicou que uma mulher, membro negro da igreja “era surpreendentemente persistente em ir às reuniões da igreja por 3 anos, tempo este em que ninguém falava com ela. Ela precisou escrever diretamente ao presidente da igreja SUD para descobrir como ser batizada” porque nenhum membro da igreja iria informá-la. [3]

O membro negro da igreja, Darron Smith, escreveu em 2003:
“Mesmo com a retirada da restrição do sacerdócio em 1978, o discurso que explicao o que é o negro continua basicamente intacto até hoje. Sob a direção do presidente Spencer W. Kimball, a primeira presidência e o quorum dos doze removeram a política que negava aos negros o sacerdócio, mas fez muito pouco para mudar os vários discursos feitos durante essa política. Ainda há membros da igreja, hoje, que continuam à ensinar em todos os níveis do sistema educacional da igreja o discurso racial que os negros são descendentes de Caim, que eles tem menos mérito nos privilégios terrenos porque eles eram os “em cima do muro” na Guerra dos Céus, e que, apesar da ciência e dos fatores climáticos, há uma ligação entre a brancura e a beleza” [4]

Peggy Fletcher Stack, jornalista e membro mórmon, escreveu em 2007:
“Hoje, muitos mórmons negros denunciam diferenças sutis na forma que são tratados, como se não fossem membros por completo, mas um grupo separado. Alguns inclusive foram chamados de “a palavra n”[preto]  na igreja e nos corredores do templo. Eles procuram, em vão, fotos de autoridades gerais mórmons, esperando encontrar suas faces ali refletidas” [5]

Eugene England, membro branco da igreja e professor da BYU escreveu em 1998:

“Esta é uma boa época para nos lembrarmos que grande parte dos mórmons ainda negam sobre sobre o impedimento [dos negros], indispostos a falar sobre o cenário da igreja sobre isso, e alguns mórmons ainda acreditam que os negros foram amaldiçoados e são descendentes de Caim ou Ham. E mais, acreditam que os negros, assim como os povos não brancos, vieram com um código de cor neste mundo, e sua linhagem e mesmo sua classe são indicadores diretos de falha em uma vida prévia... Eu verifico ocasionalmente em classes na BYU e vejo que ainda, vinte anos após a revelação, a maioria dos alunos mórmons brilhantes e bem educados dizem que acreditam que os negros são descendentes de Caim ou Ham, e ainda, a maldição da cor da pele é uma indicação da fidelidade na vida pré-mortal. Eles me dizem que essas idéias vem de seus pais ou dos professores do seminário e da escola dominical, e que nunca os questionaram. Eles parecem muito confortáveis com a contradição implícita aos ensinamentos básicos do evangelho”. [6]

Em uma intrevista para o documentário da PBS sobre “Os Mórmons”, Jeffrey R. Holland, um membro do quórum dos doze apóstolos, denuncia especificamente a perpetuação do folclore que sugere que a raça é, de alguma forma, uma indicação de quão fiel a pessoa foi na pré-existência. [7]

PEDIDO À IGREJA QUE REPUDIE SUAS ANTIGAS DECLARAÇÕES RACISTAS

Em 1995, o membro negro da igreja SUD, A. David Jackson pediu aos líderes da igreja que redigissem uma declaração repudiando a antiga doutrina que tratava o negro como inferior. Em particular, Jackson pediu à igreja para ir contra a declaração de 1949 , “A questão do negro”, onde a presidência da igreja afirma: “A atitude da igreja com referência aos negros... não é questão de política, mas sim um mandamento direto de Deus... fazendo com que os negros... não tenham o direito ao sacerdócio...”[8].

Os líderes da igreja nunca redigiram um repúdio, e assim em 1997 Jackson, apoiado por outros membros da igreja incluindo Armand Mauss, mandou uma segunda requisição aos líderes da igreja. Esta dizia que os mórmons brancos achavam que a revelação de 1978 resolveria tudo, mas que os mórmons negros reagem de forma diferente quando eles aprendem os detalhes. Ele disse que muitos mórmons negros ficaram desencorajados e abandonaram a igreja ou se tornaram inativos. “Quando eles descobrem sobre isso, eles saem... vocês ficam com afro-americanos passivos na igreja” [9]. A igreja, mesmo assim, não redigiu tal repúdio!!!

Outros membros negros da igreja acham que pedir desculpas teria um “impacto negativo” no trabalho da igreja e seria um catalítico para desentendimentos raciais futuros. O membro afro-americano Bryan E. Powell afirma:
 
“Não há prazer em notícias velhas, e estas notícias são velhas”. Gladys Newkirk concorda, declarando:
“Eu nunca passei por nenhum problema nessa igreja. Eu não preciso de pedido de desculpas... Nós somoso resultado desse pedido”.[10]

A grande maioria dos mórmons negros diz que eles são capazes de olhar além dos ensinamentos racistas e se manterem na igreja em parte por causa de seus ensinamentos poderosos e detalhados sobre a vida após a morte. [11]

Gordon B. Hincley, quando presidente da igreja, disse ao Los Angeles Times:
“A declaração de 1978 fala por si... eu não vejo nada mais que nós precisemos fazer”. A liderança da igreja não redigiu um repúdio. [8]


O apóstolo da igreja SUD Dallin H. Oaks disse:
“Não é do padrão de Deus dar explicações. Nós podemos dar explicações para os mandamentos. Quando o fazemos, estamos fazendo por nós mesmos. Algumas pessoas explicam [a proibição do sacerdócio ao negro] e elas estão espetacularmente erradas. Há uma lição nisso... A lição que aprendi foi ter fé nos mandamentos e não ter fé nas explicações que foram sugeridas... Eu estou me referindo às explicações dadas pelas autoridades gerais e as explicações elaboradas sobre [estas explicações] por outros. Todo esse conjunto de explicações parece, para mim, um risco desnecessário... Não vamos cometer o mesmo erro do passado, aqui e em outras áreas, tentando explicar as revelações. As explicações, no final, são feitas em grande parte pelos homens. As revelações são o que nos sustentam assim como a vontade do Senhor e é aqui que a segurança está.”[12]
_______________________


Notas:

1 -  “Lesson 31: Choosing an Eternal Companion,”Aaronic Priesthood Manual 3, p. 127.
3 – Smith, Darrin (2004). Black and Mormon. University of Illinois Press. pp. 75–77. ISBN 025202947X. 
4 – Smith, Darron (March 2003), "The Persistence of Racialized Discourse in Mormonism", Sunstone 
5 – "New film and revived group help many feel at home in their church" by Peggy Fletcher Stack, The Salt Lake Tribune, July 6, 2007
6 – England, Eugene (June 1998), Sunstone: 54–58 
8 - Ostling, Richard and Joan (1999). Mormon America. Harper Collins. pp. 103–104. ISBN 0060663715. 
9 – Ostling, Richard and Joan (1999). Mormon America. Harper Collins. pp. 105. ISBN 0060663715. 
11 – Ramirez, Margaret (2005-07-26). "Mormon past steeped in racism: Some black members want church to denounce racist doctrines". Chicago Tribune. http://www.chicagotribune.com/news/nationworld/chi-blackmormons,1,708682.story?page=1&ctrack=1&cset=true
13 – Dallin H. Oaks, Interview with Associated Press, in Daily Herald, Provo, Utah, 5 June 1988 

PRECONCEITO RACIAL 4 - Uma negra chamada Jane

PRÉVIO                                                                                                            POSTERIOR
UMA NEGRA CHAMADA JANE

Escrito por Connell O'Donovan - website em inglês: http://www.connellodonovan.com/

Em 1980, apenas uns poucos meses antes de sair para a minha missão no Rio Grande Do Sul, Brasil, eu era dançarino e cantor em duas peças musicais grandes, como parte da celebração do aniversário de 150 anos da Igreja Mórmon na cidade de Salt Lake. "Vale Prometido" e "Dentro desses Muros" eram musicais sobre a busca Mórmon por uma "Sião" dos últimos dias - um lugar de paz para "os puros de coração", onde os Santos poderiam morar em segurança. Durante aquele verão mágico de 1980, uns 100,000 Mórmons e turistas em Utah me viram nas duas peças. A experiencia foi incrível para mim. O pessoal nas peças era bem agradável e eu abraçei a nossa mensagem sobre Sião com todo o meu coração.

Antes de cada apresentação, o pessoal reunia-se numa sala para oferecer orações de gratidão pelo privilégio de compartilhar cantos de redenção em Sião com tanta gente de todas as partes do mundo. 

Eu precisei acreditar desesperadamente que eu tinha encontrado aquela Sião ilusória. Minha própria vida era tempestuosa, com um profundo desânimo, e frequentemente com pensamentos suicida. Em minha simplicidade, não tinha idéia nenhuma das agonias que eu sofreria por causa desta igreja durante a proxima década, nem quão profundamente a falência da igreja em fornecer a Sião prometida influenciaria o restante de minha vida.

Também naquele verão de 1980, eu estava completando um projeto de pesquisa através do Departmento Histórico SUD, sobre "Os Negros e o Sacerdócio". 



Durante a pesquisa, eu tive o privilégio de ter nas mãos o manuscrito autobiográfico de Jane Elizabeth Manning James (foto ao lado), uma negra que foi convertida ao mormonismo no estado de Connecticut em 1842, e um ano mais tarde andou a pé descalça desde Nova Yorque até Nauvoo, Illinois, a sede da igreja naquela época. 

Ao chegar em Nauvoo, ela encontrou a profeta Joseph Smith, que abraçou-a e disse, resumindo uma passagem do livro do Apocalipse 7:17, "Seja bem vinda a Sião, Jane! Nós enxugamos toda lágrima aqui!".

 O relato dela – e especialmente as palavras de Joseph à ela - me aqueceram a alma! Como Jane James, eu era um membro marginalizado da sociedade. Como Jane, no fundo da alma eu busquei aquele lugar de refúgio seguro, aquele espaçao certo de asilo onde eu poderia ser curado e ter todas as lágrimas enxutas. Como Jane acreditou, nenhum valor seria alto demais por aquele lugar.

Quando eu fui ao Brasil para servir como missionário, eu recontei a história de Jane muitas vezes às congregações locais (especialmente ao dar as boas vindas aos membros novos), mas eu sempre terminei aí, com Jane no abraço de Joseph, tendo as lágrimas secadas em Sião.

Mas isso não é tudo do relato dela. Minha propria necessidade de encontrar refúgio no Mórmonismo me deixou cego a certos fatos desagradáveis sobre a vida de Jane. Por exemplo, a razão que Jane andou a pé até Nauvoo foi porque os Mórmons brancos não dariam à ela uma carroça, nem a ajudariam a pagar sua passagem de trem e barco. E quando ela chegou em "Nauvoo a Bela", aquela "Sião no rio Mississippi", ela foi ou rejeitada ou evadida pelos Santos brancos. Finalmente uma pessoa encaminhou-a à casa de Joseph Smith.

Ao conhecer o profeta finalmente, Joseph empregou Jane como criada de casa (quase escrava), e quando Smith foi morto em 1844, Brigham Young então empregou-a como sua criada também. A despeito de seu serviço fiel à igreja e aos presidentes ricos, ela viveu a maior parte de sua vida em pobreza abjeta. 

Ela chegou na nova Sião de Utah no meio dos Santos pioneiros em Setembro de 1847, a primera negra livre no território, somente para descobrir que a escravidão ainda era praticada lá. Até mesmo o Apóstolo Mórmon Charles C. Rich possuia negros cativos em Utah, o que deve ser sido uma prova grande de sua fé (como foi da minha quando eu o descobrí).

Muitos anos antes da morte de Jane, ela começou a escrever cartas aos líderes Mórmons (inclusive apóstolos e presidentes), implorando que eles a deixassem entrar no templo de Salt Lake para ser selada à Joseph e Emma Smith como sua filha adotiva; Jane contou que Emma Smith fez este pedido à ela pessoalmente em Nauvoo, mas Jane demorou a responder, e logo depois Joseph foi assassinado. 

Ela tinha uma forte fé na religião SUD, pois era vedado aos homens de sangue africano possuirem o sacerdócio Mórmon, era negada a entrada nos templos à Jane James e todos os negros, uma lembrança dolorosa de seu estado inferior na hierarquia eclesiástica Mórmon – na verdade a mesma situação de qualquer criança Mórmon de apenas oito anos.

Mas Jane James era persistente na petição de ser selada á familia Smith. E finalmente, na primavera de 1894, ela recebeu notícias que seria selada a Joseph Smith e sua familia no templo de Salt Lake no dia 18 de maio. Porém, mais uma vez, lhe foi negada a entrada na "casa do Senhor".

Ao invés disso, líderes eclesiásticos tinham providenciado uma branca (Bathsheba W. Smith) para representar a Jane James, porque a mera presença física dessa mulher negra, forte e fiel difamaria a santidade do templo recentemente terminado.

Em seguida, para acrescentar insulto à injúria, em vez de ser selada à Joseph Smith como uma filha, como ela esperava, Jane foi selada pela subsituta à Joseph como sua "Serva" eterna (a única vez na história de mormonismo que este tipo de cerimônia foi realizada entre dono e criado). 

As palavras recitadas nesta cerimônia eram que Jane seria "ligada como Serva para a eternidade ao profeta Joseph Smith e desta forma ser ligada a sua familia e ser obediente a ele em todas as coisas no Senhor como Serva fiel"

Em essência, uma escrava eterna, sentenciada a servir um dono branco por toda a eternidade.

Não derrotada por este gesto humilhante, ela continuou exigindo de seus líderes SUD sua permissão para entrar no templo, até sua morte em 1908, com a idade de 95 anos.

Quando eu leio as petições sinceras mas inúteis aos líderes eclesiásticos, eu sei que Sião não tinha secado suas lágrimas como prometido, mas aumentou-as em magnitude. Sião não podia cumprir sua promessa a nós dois, mas de fato piorou a ferida; os que prometeram e professaram Sião amarram-nos com as cadeias de injustíça e depois fazem um desfile de nosso cativeiro.

Onde ficava Sião para essa bela, perservarante, e fiel mulher?

PRECONCEITO RACIAL - contradições e final (?) da política racista

PRÉVIO                                                                                                      POSTERIOR
 
CONTRADIÇÕES NA DOUTRINA RACISTA DA IGREJA MÓRMON

É interessante observarmos que, mesmo durante a política de impedir que os negros e seus descendentes obtivessem o sacerdócio ou entrassem no templo da igreja, os discursos e mesmo as escrituras contém várias contradições.

Abaixo, citarei algumas destas:

Livro de mórmon:
Nefi 26:33 

“Pois nenhuma destas iniquidades vem do Senhor, porque ele faz o que é bom para os filhos dos homens; e não faz coisa alguma que não seja clara para os filhos dos homens; e convida todos a virem a ele e a participarem de sua bondade; e não repudia quem quer que o procure, negro e branco, escravo e livre, homem e mulher; e lembra-se dos pagãos; e todos são iguais perante Deus, tanto judeus como gentios”.

1863: Presidente Brigham Young

“Negros devem ser tratados como seres humanos e não como animais brutos e irracionais. Pelo abuso desta raça, os brancos serão amaldiçoados, a menos que se arrependam”.(Journal of Discourses, 10:111)

Dois ensinamentos? 

Dois discursos? 

Duas revelações diferentes pelo mesmo profeta?

1946:John A. Widstoe (Apóstolo)

“As alegações de 'raça superior' são puramente cacarejos de galo, usadas por homens sem caráter em benefícios de seus próprios interesses. Nunca houve um monopólio da superioridade das realizações humanas por qualquer nação. Declarar isso é simplesmente permitir que o nacionalismo sem lei corra solto e selvagem (em relação a ideologia nazista). A doutrina da 'raça superior' da última guerra foi uma horrível enganação, concebida pelos poderes do mal, cujo príncipe é Satã, o demônio”. (Evidences and Reconciliations, pp. 3-4)

1951: Presidente David O. McKay

“George Washington Carver [famoso cientista afro-americano] foi uma das mais nobres almas que já veio a esta terra. Ele se manteve em próxima intimidade com o Pai Celestial e proporcionou um serviço tão excelente aos concidadãos que poucos se igualariam a ele. 

"A cada projeto religioso, a cada impulso nobre e a cada boa obra realizada em sua vida altruística, George Washington Carver será recompensado, e da mesma forma será qualquer outro homem, seja ele vermelho, branco, negro ou amarelo, pois Deus não faz acepção de pessoas”.(Home Memories of David O. Mckay, p.231).

1962: Presidente Joseph Fielding Smith

"Os Santos dos Últimos Dias, comumente chamados 'Mórmons', não têm animosidade alguma em relação ao Negro. Nem também o descrevem como pertencente a uma alguma raça 'INFERIOR'". (Deseret News June 14, 1962, p.3)

1963: “A Igreja Mórmon não acredita, nem ensina, que o Negro seja um ser inferior. Física e mentalmente, o Negro é capaz de grandes realizações, tão grandes e em alguns casos até superiores do que as potencialidades da raça branca”. (LOOK magazine, Oct. 22, 1963, p.79)

Como explicar? Eles ensinam que os negros eram amaldiçoados e inferiores, e depois negam?

1972: Presidente Spencer W. Kimball

“Preconceito Racial é do demônio. Preconceito Racial vem da ignorância. Não há um lugar para isto no Evangelho de Jesus Cristo”. (Teachings of Spencer W. Kimball, p.237)

“A intolerância por membros da Igreja é desprezível. Um problema em especial existe com respeito aos negros porque eles não podem hoje [1972] receber o sacerdócio. Alguns membros da Igreja justificariam suas próprias discriminações não-cristãs contra os negros devido à regra a respeito do sacerdócio, mas enquanto esta restrição foi imposta pelo Senhor, não cabe a nós adicionar qualquer fardo sobre os ombros de nossos irmãos negros. 

"Aqueles que receberam Cristo pela fé através de um batismo autorizado são herdeiros do reino celestial junto com todos os homens de outras raças. E aqueles que permanecerem fiéis até o fim podem esperar que Deus possa finalmente lhes garantir todas a bênçãos que merecem por sua retidão. 

"Tais questões estão nas mãos do Senhor. Cabe a nós estender nosso amor a todos”. (De um discurso em 1972 reimpresso em The Teachings of Spencer W. Kimball, Deseret Book, 1982.)

1986: O Quórum dos Doze Apóstolos emitiu esta declaração 

“Nós repudiamos os esforços em negar a qualquer pessoa os seus direitos e dignidades inalienáveis baseados na abominável e trágica teoria da superioridade de uma raça sobre outra”. (LDS Global Media Guide)

1993: Élder John K. Carmack (Membro do Primeiro Quórum dos Setenta)
“Nós não acreditamos que qualquer nação, raça ou cultura seja de uma prole inferior ou menor aos olhos de Deus. Aqueles que acreditam em tais doutrinas não possuem autoridade do Senhor nem de seus servos autorizados”. (Tolerance, p.3)


Então... Todos os profetas mórmons que ensinaram as doutrinas já citadas... "Não possuem autoridade do Senhor nem de seus servos autorizados"?

1993: Élder Alexander Morrison (Membro do Primeiro Quórum dos Setenta)

“Não há lugar para racismo na Igreja. Nós o abominamos” (Salt Lake Tribune, June 6, 1998)

FINAL DA POLÍTICA RACISTA

Por quase 140 anos, o mormonismo ("A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias") ensinou que todas as pessoas de descendência africana eram "inferiores" e "amaldiçoados" por Deus por causa de pecados cometidos antes de seu próprio nascimento. 

Eles eram considerados indignos de receberem o sacerdócio Mórmon, e mesmo "uma gota de sangue negro" era suficiente para desqualificar qualquer um para uma posição de autoridade verdadeira dentro do mormonismo.

Consequentemente, missionários mórmons eram instruídos a evitar negros nas várias partes do mundo onde estivessem.

Porém, grandes mudanças estavam à caminho.

Entre os dias 24 de outubro a 28 de novembro de 1978, ocorreu a Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, realizada em Paris. Obviamente, muito se falou no ano de 1978 sobre esse encontro.

Também em 1978, ocorreu a I Conferência da ONU pelo Combate ao Racismo e a Discriminação Racial, ocorrida em Genebra, que mobilizou atores envolvidos com luta pela promoção da igualdade racial em diferentes países.

Ainda, maiores dificuldades para manter tal doutrina eugênica apareceram com a expansão da igreja na América latina: foi anunciada a construção do 17º templo da igreja e primeiro na América Latina, na cidade de São Paulo, Brasil.

 As obras iniciaram-se em 20 de março de 1976. Porém, os líderes da igreja perceberam a dificuldade de restringir pessoas com descendência africana de receberem o sacerdócio e entrarem no templo.

Ainda, a ONU tinha acabado de lançar uma manifestação contra o racismo e a Igreja temia as mesmas conseqüências da época da poligamia.

Assim, Spencer W. Kimball, N. Eldon Tanner e Marion G. Romney, a primeira presidência da igreja na época, realizaram uma reunião e anunciaram, em 08 de junho de 1978, o desempredimento do negro ao sacerdócio. 

Isto foi feito através de uma carta aos oficiais do sacerdócio em todo mundo e apoiada durante a 148º Conferência Geral Semestral em 30 de setembro de 1978. [86] É interessante notar que o templo de São Paulo foi dedicado (santificado para o uso de alguns membros da igreja) em 30 de outubro de 1978, cerca de 4 meses após a “revelação divina”.

Por causa das circunstâncias em que essa revelação foi recebida, muitos acreditam que foi mais “uma revelação de conveniência”.

No dia 2 de junho de 1979 a Seção de notícias da Igreja informou que a declaração da Primeira Presidência contando a revelação que estende o sacerdócio para os membros masculinos dignos da Igreja também seria acrescentado em Doutrina e Convênios. Notem que apenas a "declaração.. contando a revelação" foi acrescentada à Doutrina e Convênios.

Alguns mórmons disseram que o poder de Deus foi manifestado como no dia de Pentecostes quando o Presidente Kimball deu a "revelação". No entanto o próprio Kimball parece dispersar esta idéia.

Durante algum tempo depois que a doutrina anti-negros foi mudada, os líderes mórmons eram ainda relutantes em informar os detalhes que cercaram a "revelação".

Finalmente, seis meses depois do evento, o grupo do “Church News“ perguntou ao Presidente Kimball se ele gostaria de compartilhar com os leitores as notícias da igreja ou qualquer informação acerca da ocasião da revelação.

A resposta do presidente Kimball é muito reveladora. Ele não faz nenhuma referência à uma voz ou qualquer revelação escrita. Na realidade, a declaração dele dá a impressão que era só um sentimento ou uma “garantia” que ele recebeu:

”.... Nós celebramos uma reunião regular do Conselho dos Doze no templo. Nós consideramos isto com muita seriedade e meditando em oração...

"Eu pedi aos Doze para não irem para casa. Eu disse:

" 'Agora vocês estariam dispostos a permanecer no templo conosco?’

"Eu ofereci a oração final e falei para Deus se não estivesse correto, se Ele não quisesse esta mudança na Igreja, que eu seria fiel a Ele para o resto de minha vida, e eu lutaria contra todo mundo se fosse esse o Seu desejo. Nós tivemos este círculo de oração especial, então soube que o tempo tinha vindo".

Porém, o único documento apresentado foi a carta da Primeira Presidência, datado em 8 de junho de 1978 (veja A Bandeira, Nov. 1978, pág., 16).

Em julho de 1978 “The Messenger of Salt Lake City” trouxe a seguinte notícia:

"Uma coisa que deveria ser notada sobre a nova revelação é que a Igreja não tem reproduzido uma cópia dela. Tudo que nós temos é uma declaração pela Primeira Presidência que diz que uma revelação foi recebida".

Em uma carta ao Editor da Tribuna de Lago Salgado, 24 de junho de 1978, Eugene Wagner observou:

"... esta mudança na doutrina realmente foi uma revelação de Deus, ou os líderes da igreja agiram por conta própria? Por que eles não publicam aquela revelação e deixaram que Deus falasse nas próprias palavras Dele?

"Tudo que nós vimos foi uma declaração da Primeira Presidência, e isso não é como uma revelação. Quando Deus fala, o começo da revelação vem com as palavras: 'Assim diz o Senhor'...

"Parece que quando Deus decide mudar uma doutrina de tão grande importância é óbvio que ele falará também com as pessoas da igreja Dele.

"Se tal revelação não pode ser apresentada aos membros é óbvio que a primeira presidência agiu por conta própria, provavelmente debaixo do medo da pressão pública, para evitar problemas de consequências sérias e manter a paz e a popularidade com o mundo".

Perceba ainda que A DOUTRINA RACISTA NÃO MUDOU, isto é, nada foi alterado em relação à crença que os negros são a descendência amaldiçoada de Caim!!!!

Aqueles que eram contra o final da política racista tiveram que mudar suas opiniões, discursos e reescrever/retirar partes de livros para a Igreja não sofrer perseguições.

Presidente Kimball: 

"...Claro que eu tive que lutar em grande parte contra isso, porque tinha crescido com este pensamento de que negros não deveriam ter o sacerdócio e eu estava disposto até a morrer por isso. Mas esta revelação e garantia vieram tão claramente a mim que não houve nenhuma dúvidasobre isto". (Deseret News, Seção de Igreja, 6 de janeiro de 1979, página 19)".

O apóstolo da igreja Bruce R. McConkie afirmou:
"Eu gostaria de dizer algo sobre a nova revelação relativo a levar o sacerdócio a todas essas nações e raças... Há declarações em nossa literatura feita pelos irmãos antigos que nós interpretamos como significando que o negro não receberia o sacerdócio na mortalidade. 

"Eu disse as mesmas coisas, e as pessoas me escrevem cartas dizendo: 'Você disse tudo aquilo, e agora? O que nós fazemos com tudo isso?' - E tudo que eu posso dizer quanto a isso... Esqueçam tudo o que eu disse (grifo nosso), ou que o Presidente Brigham Young ou o Presidente George... disse no passado e que está contrariando a revelação presente. 

"Nós falamos com uma compreensão limitada e sem a luz e o conhecimento que temos agora... e não faz a mínima diferença o que qualquer pessoa sempre disse sobre o assunto do negro antes do primeiro dia de junho deste ano (1978). É um dia novo e um arranjo novo, e Deus deu a revelação que esclarece o mundo sobre este assunto agora".

O mesmo apóstolo McConkie precisou fazer várias mudanças no livro "Doutrina Mórmon”. E não foi a primeira vez que foi forçado a revisar o seu livro. Em 1958, a edição original foi suprimida porque continha material contra os católicos.

Quando a 25ª Impressão do livro de McConkie apareceu em 1979, a maioria do material contra os negros foi retirada ou foi mudada. 

Por exemplo, a seção: " NEGROS” (pp. 526-28 da nova impressão) fora completamente reescrita e já não contém a declaração de McConkie de que os negros não são iguais a outras raças. Nem contém a explicação longa de como os negros eram "menos valorosos" na preexistência e então tiveram impostas restrições espirituais durante a mortalidade.

Ainda, na edição de 1979 do mesmo livro,, ao ser comparada com a edição de1958, na página 314, o Apóstolo McConkie mudou as declarações a respeito dos negros de forma que não se lê que "os negros são amaldiçoados" com uma pele negra. Na impressão de 1979 McConkie ainda fala de "pele escura”, mas ele chama isto de "marca" em lugar de "maldição".

“Deus colocou em Caim uma marca de uma pele escura, e ele se tornou o antepassado da raça negra”.

Embora o apóstolo McConkie tenha o direito de mudar seus próprios escritos, estas mudanças tendem a arruinar a reivindicação dele de ter "as chaves do reino de Deus na terra".

Entretanto, a seção intitulada, SISTEMA DE CASTA ainda contém resquícios desta doutrina racista:

"Porém, em geral, o sistemas de casta têm sua raiz e origem no próprio evangelho...As restrições de segregação são certas e próprias e têm a aprovação do Deus bíblico. 
"Para ilustrar isso: Caim, e sua descendência que são os negros foram amaldiçoados com uma pele preta, a marca de Caim, assim eles podem ser identificados separadamente como uma casta, pessoas com quem os outros descendentes de Adão não deveriam casar dentro da família". (Doutrina mórmon, 1979, página 114)
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