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quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Usando linguagem mais adequada?

Tenho lido algumas respostas indignadas de SUDs sobre as mudanças no livro de Mórmon - em especial, sobre o racismo. Eles tem alegado, com toda a prepotência, que é apenas uma "melhor adequação da linguagem do livro para a língua portuguesa", ou mesmo, para os dias atuais.

Na realidade, essas pessoas desconhecem que as mudanças foram feitas também em inglês. Portanto, não é um problema de tradução ou de necessidade de adequação de uma língua para outra.

Ainda, NÃO HOUVE, de acordo com a história oficial da igreja, qualquer erro na traduçõa feita por Joseph Smith.

Relembrando:

"Ele traduzia pondo o Urim e Tumim em um chapéu e colocava seu rosto nele, e no escuro aparecia uma frase com letras romanas. Depois ele ditava ao escriba e assim que estivesse terminado ele dizia que iria aparecer outra e assim por diante. Mas se não fosse escrito corretamente pelo escriba, a frase não desaparecia. Então nós vemos que foi maravilhoso. Foi assim que ele traduziu” [1]
Martin Harris, que foi um dos escribas de Joseph Smith, também disse:

Com a ajuda da Pedra de Vidente, apareceriam frases que eram lidas pelo profeta, depois escritas por Martin, e quando terminava este dizia ‘escrito’. Se aquela frase escrita estivesse correta, aquela frase desapareceria e outra apareceria em seu lugar. Mas se a escrita não estivesse correta, então ela permanecia até ser corrigida, de forma que a tradução era como estava gravado nas placas, precisamente no idioma então usado”. [2]
 
Vemos, portanto, que jamais qualquer erro foi cometido por Smith, pois caso este fosse cometido - mesmo que por seus escribas - a palavra correta não desaparecia do interior de seu chapéu mágico e de sua pedra do Vidente.

Quanto à essa necessidade de adequação para a lígua portuguesa, vejamos uma declaração do Manual de Instruções da Igreja: 

"A Igreja desencoraja que o Livro de Mórmon seja reescrito em um inglês mais familiar ou moderno."

A Primeira Presidência disse:
"Quando um texto sagrado é traduzida para outro idioma ou reescrito em uma linguagem mais familiar, há riscos substanciais de que este processo introduza erros doutrinários ou evidências obscuras de sua antiga origem.

"Para se proteger desses riscos, a Primeira Presidência e o Conselho dos Doze fazem uma estreita supervisão pessoal à tradução das escrituras do inglês para outras línguas e não autorizam tentativas de expressar o conteúdo doutrinário do Livro de Mórmon em inglês de maneira mais familiar ou moderna (Estas preocupações não se referem às publicações da Igreja para crianças, tais como Livro de Histórias Mórmon)."[3] 

Alguém, com bom-senso e racionalidade pode, por favor, de alguma forma, explicar as mais de 4 mil mudanças do Livro de Mórmon? Ou apenas a retirada das passagens racistas? (para mais detalhes, veja AQUI).

_________________
Fontes:
1. Citado in Dean Jessee, "Joseph Knight's Recollection of Early Mormon History," BYU Studies, vol. 17:1 (outono de 1976), p. 35.
2. Edward Stevenson, "One of the Three Witnesses," reimpresso do Deseret News, 30 nov. 1881 in Millennial Star, 44 (6 fev. 1882): 86-87.
3.declaração da  Primeira Presidência, Ensign, abril 1993, 74.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Cavalos unos e o Livro de Mórmon

 Texto traduzido e adaptado de Latayne.com

O apologista SUD Michael R. Ash tem um argumento muito interessante sobre o motivo de  não haver restos de cavalos encontrados nas Américas, que podem ser datados no período de tempo "histórico" do Livro de Mórmon. Ash diz (comentário completo em inglês aqui):


“Nos séculos IV e V, os unos da Ásia Central e Europa Oriental tinham tantos cavalos, que as estimativas sugerem que cada guerreiro pode ter tido até dez cavalos. Cavalos eram a base da sua riqueza e poder militar.

“De acordo com uma autoridade não-SUD sobre o registro zoológico da Ásia Central, no entanto, sabemos muito pouco sobre os cavalos dos unos, e nem um único osso de cavalo utilizável foi encontrado no território de todo o império do unos.

"Basedo no fato de que outros animais – que haviam prosperando – desapareceram (muitas vezes, deixando apenas vestígios), é razoável sugerir que a mesma coisa poderia ter acontecido com os ‘cavalos’ nefitas.”

No entanto, Ash está equivocado quanto ao fato de não haver evidências dos cavalos unos. Em 1990, arqueólogos escavaram o túmulo intacto de uma princesa una na Mongólia. Dentro de seu caixão, de acordo com a publicação Mongolia Today:

“A caixa de madeira dentro da qual o caixão foi colocado, continha uma jarra de bronze com grandes gravuras de vários animais, freios de metal, e detalhes de equipamentos usados em cavalos. A roda da carroça chamou a atenção de arqueólogos, pois tem mais de 40 furos para os aros e, portanto, a direção deveria ser muito grande.

“Cinco crânios de cavalos foram colocados ao lado noroeste para o enterro, com uma cabeça de cavalo voltada para o caixão. O crânio número 5 foi reverenciado pelos unos por causa da sua reverência especial à Constelação Cygnus. Uma cabeça de cavalo, em separado, provavelmente pertencia a um amado cavalo da princesa.”

Observe quão cuidadosamente Ash redigiu seu argumento:

"Nem um único osso de cavalo utilizável foi encontrado..."

(Eu não tenho certeza o que torna um osso antigo "utilizável", mas ele colocou essa ênfase).

Enquanto túmulo da princesa una é notável porque continha um dos poucos restos de esqueletos de cavalos unos, também continha algo muito mais comum: equipamentos utilizados em cavalos, como freio e outros.

Aqui está a conclusão: É possível que algo frágil e passível de decomposição como ossos de cavalo quase desaparecem completamente depois de mais de mil anos. 

No entanto, é quase impossível que todos os equipamentos, normalmente de metal e couro - associados a grandes manadas de cavalos - também desaparecessem.  

E não existe nenhum equipamento utilizado em cavalos que tenha sido encontrado nas Américas e que date antes de Colombo.


Para mais informações, consulte The Mormon Mirage 3rd Edition:  A Former Member Looks at the Mormon Church Today (Zondervan, 2009). Também disponível como um audiobook e como um texto expandido-E-book para Nook, Kindle e outros dispositivos de leitura.

domingo, 3 de julho de 2011

A rocha do túmulo número 3 - The Bat Creek Mound #3

Alguns mórmons defendem que uma rocha, datada da mesma época dos povos do Livro de Mórmon, encontrada no Tenesse, e com inscrições hebraicas, é uma das provas da historicidade do dito livro.

De fato, no alt.religion.mormon foi escrito:

“Aqui estão algumas ‘provas concretas’ sobre alguns (não necessariamente sobre OS) judeus que vieram do Velho Mundo para o Novo Mundo, como descrito no Livro de Mórmon. “A ‘sólida evidência’ é a inscrição, em hebraico antigo, em uma rocha localizada no túmulo número 3 (Mound # 3), em Bat Creek, Loudon County, Tennessee, e que data da época do Livro de Mórmon. Cyrus Gordon cita sobre a escavação acima, que foi datada com carbono-14 em cerca de 100 dC.”
Rocha Bat Creek

HISTÓRICO:

Foi dito, inicialmente, que a pedra havia sido encontrada em 1889, em um túmulo, por uma equipe de pesquisa liderada por John W. Emmert, da Smithsonian Institution.

Bat Creek - Tennessee
O local foi localizado na confluência do Pequeno Rio Tennessee e Bat Creek, a poucos quilômetros ao norte da moderna Vonore. O local havia sido nivelado, na época, e os arqueólogos da Universidade do Tennessee realizaram escavações de salvamento  na área na década de 1970.

A inscrição Bat Creek é uma inscrição esculpida em uma rocha supostamente encontrada em um túmulo de um nativo americano em Loudon County, no estado deTennessee nos Estados Unidos, em 1889. A inscrição é composta de caracteres vagamente parecidos com o alfabeto Cherokee, inventado por Sequoyah no início do século XIX. [1]

Cyrus Gordon
No início de 1970, a inscrição  tornou-se fonte de controvérsia quando o linguista Cyrus Gordon argumentou que eram na realidade, uma inscrição Paleo-Hebraico, e, portanto, fornecia evidências de contatos trans-oceânicos antes de Colombo. [2] [3].

No entanto, os arqueólogos da Universidade de Tennessee e outros especialistas rejeitaram a afirmação de Gordon.

Mary Kwas
Em 1991, os arqueólogos Robert Mainfort e Mary Kwas publicaram um artigo no Tennessee Anthropologist. Eles negaram as afirmações de que a pedra de Bat Creek era de origem pré-colombiana do Velho Mundo, dizendo que tais afirmações eram obra de "arqueólogos embusteiros".
Robert Mainfort

Mainfort e Kwas apontaram que as inscrições fraudulentas em pedras, pretendendo mostrar evidências de tais contatos - como a Kensington Stone e Davenport Tablets – não eram incomuns, especialmente no final do século XIX.

Eles levantaram a questão particular de Cyrus Gordon, a quem eles chamaram de um "professor trapaceiro", desesperado por evidências para apoiar suas teorias de contatos transatlânticos pré-colombiano. [4].

Dr. Frank Moore Cross
Mainfort e Kwas consultaram um especialista em Paleo-Hebraico , Dr. Frank Moore Cross, da Universidade de Harvard. Ele também contradisse a afirmação de Gordon de que a inscrição era Paleo-Hebraica.

Cross afirmou que apenas duas letras de toda a inscrição poderiam, talvez, serem consideradas Paleo-Hebraicas do período em questão (entre o 1º século aC e o primeiro século dC). 


Cross disse também que a interpretação de Gordon da inscrição ("para os judeus") era baseada no alfabeto aramaico, e não no Paleo-Hebraico [5].

Em 2004, Mainfort e Kwas publicaram um artigo no American Antiquity [6] mostrando uma inscrição em um livro maçônico de referência de 1870, que tinha grandes semelhanças com a inscrição da rocha de Bat Creek (veja comparações abaixo).
Esquema da rocha Bat Creek

Livro Maçônico

A inscrição maçônica era a inscrição de um artista de como "Santo ao Yahweh" poderia ter sido em Paleo-Hebraico. Mainfort e Kwas sugeriram que Emmert provavelmente baseou a inscrição da rocha de Bat Creek nesta inscrição maçônica antiga.

Portanto, há grandes problemas com a utilização dos resultados da rocha de Bat Creek para validar o Livro de Mórmon.

- Primeiro, e mais importante, as pulseiras encontradas na mesma data do enterro, no túmulo, são do século XVIII e XIX - o que significa que a pedra, provavelmente não foi colocada no local até então (por isso, ela poderia facilmente ter sido ali colocada após a era colombiana).

- Segundo, contrariando afirmações, os exames de radiocarbono 14 mostram que as pulseiras colocadas no túmulo são bem mais recentes do que anteriormente afirmado:

"Testes recentes feitos pelo nosso Laboratório de Conservação com as pulseiras de metal encontradas no mesmo túmulo definitivamente estabelecem que são produtos do comércio dos séculos XVIII e XIX, e não tem a composição química de bronze dos períodos romano ou no início do período semita." (Statement by the Smithsonian Institution, November 24, 1971)

- Terceiro, o próprio Gordon afirmou que o roteiro se refere às moedas judaicas, que data, de entre 70 dC e 135 dC. Assim a pedra não poderia ter sido trazida para a América antes disto. 

Porém, o Livro de Mórmon fala de pessoas que vieram para as américas por volta de 600 anos aC - muito antes deste período.

- Quarto, a inscrição na rocha não é Paleo-Hebraica, mas é muito semelhante à aramaica, e extremamente semelhante à encontrada em um livro Maçom.

Sabendo-se das falsificações arqueológicas com outras rochas semelhantes a esta, e com os dados acima em mãos, qualquer tentativa em usar essa rocha como “prova” do Livro de Mormon apenas a colocará no mesmo nível que o livro: uma falsificação.



Obs. A rocha de Bat Creek continua a ser propriedade do Smithsonian Institution, mas está atualmente emprestada à Universidade do Tennessee. A rocha está atualmente em exposição no Museu Frank H. McClung, em Knoxville, Tennessee.

A rocha está, no catálogo, o número A134902-0, nas coleções do Departamento de Antropologia, Museu Nacional de História Natural, Smithsonian Institution.

__________
Fontes:

1 - Cyrus Thomas, 12th Annual Report, Bureau of American Ethnology, 391-393. Cited in Charles Faulkner (ed.), The Bat Creek Stone (Tennessee Anthropological Society, Miscellaneous Paper No. 15, 1992). 391-393.
2 - J. Huston McCulloch, "The Bat Creek Inscription: Cherokee or Hebrew?" The Bat Creek Stone (Tennessee Anthropological Association, Miscellaneous Paper No. 15, 1992), 81-82. Originally published in Tennessee Anthropologist 13, no. 2 (Fall 1988).
3 - Robert Mainfort and Mary Kwas, "The Bat Creek Stone: Judeans in Tennessee?" The Bat Creek Stone (Tennessee Anthropological Association, Miscellaneous Paper No. 15, 1992), 5-6.. Originally published in Tennessee Anthropologist 16, no. 1 (Spring 1991).
4 – Ibid, p. 1-3.
5 –Ibid, p.  5-7
6 - Robert Mainfort and Mary Kwas "The Bat Creek Stone Revisited: A Fraud Exposed" American Antiquity69.4 (Oct 2004): p761


Para ler mais – em inglês: