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segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Fanny Alger


O caso de Joseph Smith com Fanny Alger, de 16 anos 

Fanny Alger foi a primeira esposa plural conhecida de Joseph Smith. Ele a conheceu em Kirtland, no início 1833, quando ela, na idade de 16 anos, permaneceu em sua casa como empregada doméstica. Descrita como "uma mulher muito agradável e uma jovem comum", segundo Benjamin Johnson, Fanny viveu com a família Smith entre 1833-1836.

Martin Harris, uma das Três Testemunhas do Livro de Mórmon, lembrou que a jovem empregada do profeta alegou que ele havia feito

"propostas impróprias à ela, que criou bastante comentários entre as pessoas."

Um dos Doze apóstolos originais de Joseph Smith, William McLellin, escreveu mais tarde para o filho de Joseph, Joseph Smith III (conhecida como “Letters of McLellin), que Emma Smith confirmou o caso Smith-Alger.

De acordo com McLellin, Emma estava procurando por seu marido e Alger. Uma noite, ela viu através de uma rachadura da porta do celeiro 

"ele e Fanny juntos e sozinhos, no celeiro" 

sobre o feno cortado. McLellin, em uma carta a um dos filhos de Smith, acrescentou que a confrontação entre Emma e seu marido foi tão intensa que Rigdon, Frederick G. Williams e Oliver Cowdery tiveram que intervir na situação.

Depois de Emma contar o que havia testemunhado, Smith, de acordo com McLellin

"confessou humildemente e implorou perdão. Emma e todos o perdoaram."

Enquanto Oliver Cowdery pode ter perdoado seu primo Joseph Smith, ele não esqueceu o incidente. Três anos mais tarde, quando provocado pelo profeta, Cowdery rebateu, chamando o episódio de Fanny Alger de "um caso obceno, indecente e imoral."

Grande parte da comoção era, evidentemente, causada pela forte reação do conselheiro próximo e amigo de Smith, Oliver Cowdery, em relação à possível ligação de Smith com Alger. O apóstolo David W. Patten, indo de Missouri, no verão de 1837, foi para Kirtland para visitar Cowdery e 

"perguntar-lhe se uma certa história era verdadeira a respeito do adultério cometido por J[oseph] Smith com uma certa garota."

Patten disse, mais tarde, que Cowdery 

"girou em seus calcanhares e insinuou como se [Smith] fosse culpado. Então ele continuou e narrou algumas circunstâncias a respeito do possível adultério, afirmando que sem dúvida era verdade. Também disse que Joseph havia dito ter confessado à Emma".[1]

Os líderes da Igreja no Missouri questionaram Cowdery sobre o incidente com Alger, quando ele chegou em Far West, no outono de 1837. Thomas B. Marsh, presidente do Quórum dos Doze Apóstolos, declarou que quando perguntaram à Cowdery "se Joseph Smith Jr. confessou à sua mulher que ele era culpado de adultério com uma certa garota", Cowdery

"levantou seus olhos muito consciente e hesitou em responder à pergunta dizendo que ele não sabia como ele responderia a pergunta, mas transmitiu a idéia de que era verdade." [2]

Depois que Smith retornou a Ohio, vindo de Missouri, no final de 1837, circularam rumores de que Cowdery havia espalhado mentiras escandalosas sobre o profeta e tinha sido castigado por ele. O "Segundo Elder" ficou furioso. Ele enviou uma carta em 21 de janeiro de 1838 para Smith:

"Eu tenho ouvido rumores de Kirtland, pelas últimas cartas, que você tem dito publicamente que quando você estava aqui, eu confessei que estava mentido deliberadamente sobre você - isso me obriga a pedir-lhe que corrija essa afirmação e me dê uma explicação - até então, você e eu somos dois." 

Aparentemente, as histórias de Kirtland vinham através de Warren Cowdery, irmão de Oliver, porque Oliver incluiu uma cópia de sua carta para Smith em uma carta separada para Warren.

Oliver escreveu a seu irmão, raivosamente:

"Posso garantir a você e ao irmão Lyman [Cowdery] que eu nunca confessei, insinuei ou admiti que eu havia mentido deliberadamente sobre ele. Quando ele estava lá, tivemos algumas conversas nas quais, em todas as vezes, eu não deixei de afirmar que o que eu havia dito era estritamente verdadeiro "relativo a "um caso obceno, indecente e imoral dele e Fanny Algers."

Smith não respondeu à carta de Cowdery. Ele estava envolvido na tentativa de manter a igreja unida em Kirtland. Líderes proeminentes da igreja, como Luke Johnson, John Boynton, Warren Parrish e outros se uniram para denunciar Smith como herege e "profeta caído". 

Eles exortaram aos membros da igreja que se reunissem a deles e restabelecessem os "antigos padrões." [3] Essa rebelião foi detonada pelo comportamento de Smith e pela falência escandalosa do Banco Kirtland Safety Society (veja AQUI)

Depois de clamorosas acusações de ambos os lados, os líderes da facção de Johnson foram excomungados. Mas então, um dos dissidentes obteve um mandado de prisão contra Smith, sob a acusação de fraude. Acobertado pela escuridão, em 12 de Janeiro 1838, ele e seu primeiro conselheiro, Sidney Rigdon, decidiram 

"escapar da violência da multidão, que estava prestes a desabar sobre nós sob a cor de um processo judicial" [4]. 

Eles fugiram para Far West, Missouri.

Enquanto Smith estava a caminho de Missouri, as acusações contra Oliver Cowdery foram iniciadas em Far West. Com destaque na lista de nove acusações, está a de "tentar destruir o caráter do presidente Joseph Smith Jr por falsamente insinuar que ele era culpado de adultério."[5]

Embora Smith chegou a Far West em 14 de março de 1838, ele evidentemente não concedeu a entrevista solicitada de Cowdery. O Segundo Elder foi excomungado em 12 de abril de 1838, desarmando efetivamente suas acusações contra Joseph Smith. [6]

Enquanto isso, Chauncey Webb narra o comportamento de Emma a depois da descoberta do relacionamento de Smith e Alger:

"Emma estava furiosa e expulsou a menina, que foi incapaz de esconder as consequências de sua relação celestial com o profeta, para fora de sua casa". [7]

Pelo menos um relato indica que Fanny ficou grávida. Chauncy G. Webb, professor de gramática de Smith, mais tarde relatou que foi quando a gravidez tornou-se evidente que Emma Smith expulsou Fanny a partir de sua casa [8]. A filha de Webb, Ann Eliza Webb Young, uma esposa divorciada de Brigham Young, lembrou que Fanny foi levada para a casa Webb em caráter temporário [9].

De fato, o diário de Joseph Smith em 17 de outubro de 1835 pode conter uma referência sobre este evento:

"Reuni minha família devido às minhas preocupações domésticas e dispensei minha pensionista." [10]

Fanny ficou com parentes nas proximidades de Mayfield, até por volta do período em que Joseph fugiu de Kirtland para Missouri.

Fanny deixou Kirtland, com sua família, em setembro de 1836. Embora ela tenha se casado com o não-mórmon Solomon Custer em 16 de Novembro 1836 e morou em Dublin City, Indiana, longe de Kirtland, o nome dela ainda fazia sobrancelhas se levantarem. Fanny Brewer, uma visitante Mórmon em Kirtland, em 1837, observou:

"muita agitação contra o Profeta ... [envolvendo] uma relação sexual ilícita entre ele e uma menina órfã, que reside com sua família e sob sua proteção" [11]

Fanny Brewer como acusadora

Fanny Brewer foi convertida ao mormonismo, em 1835. Heber C. Kimball participou de sua conversão quando fez uma viagem missionária para Boston. Lá,

"em companhia dos apóstolos Thomas B. Marsh e Brigham Young, e depois de passar vários dias com os Santos naquela cidade, e cada um foi presenteado com um terno novo pelas irmãs Fanny Brewer, Polly Voce e outras, eles foram para o norte, para o estado de Maine.” [12]

Dois anos mais tarde, Fanny viajou para Kirtland. [13] Aparentemente, ela perdeu sua fé e, em 1842, uniu-se a John C. Bennett contra Joseph Smith. Em uma carta de 13 de setembro, ela escreveu:

"Testemunho de Fanny Brewer, de Boston
"Boston, 13 de setembro de 1842

"Para o Público: - Eu tenho desejado, há muito tempo, que alguém que possuísse conhecimento das práticas ocultas e abominações em Nauvoo, tivesse a coragem moral para as revelar em sua totalidade. E os meus desejos foram realizados nas divulgações do General Bennett. Como o gelo foi agora quebrado, eu também tenho uma história para contar. Na primavera de 1837, saí de Boston para Kirtland, com boa fé, para reunir-me com os Santos, como eu pensava, e adorar a Deus de maneira mais perfeita. Na minha chegada, eu encontrei um irmão processando outro irmão, a embriaguez prevalecendo em grande parte, e toda espécie de maldade... Houve muita comoção contra o Profeta, em outra história também - uma relação sexual ilícita entre ele e uma menina órfã que residia com sua família, e sob sua proteção!!! Mr. Martin Harris disse-me que o Profeta era muito notório por suas mentiras e libertinagem! No outono de 1837, toda a família de Smith deixou Kirtland, por revelação (ou necessidade), indo para Missouri ". [14]

Publicado na exposição de John C. Bennett, History of the Saints, em 1842, sua afirmação foi reimpressa várias vezes e tornou-se uma cotação padrão para interpretar o ambiente em Kirtland, Ohio. Também tem sido interpretada como uma referência à poligamia.

A declaração de Fanny Brewer pode representar corretamente as fofocas em Kirtland em 1837. No entanto, como discutido na análise, há evidências que apóiam que a relação Smith-Alger foi um casamento plural. Parece que poucas pessoas a entendiam como uma união poligâmica e que praticamente todos os rumores eram sobre uma relação adúltera, o que Joseph Smith negou.

Seja qual tenha sido o nível de "comoção" causado pelo fato, este aparentemente nunca chegou aos jornais locais. A declaração de Fanny, publicada em 1842, é o primeiro documento impresso que se refere à relação. O nome de Fanny Alger não seria publicado em qualquer contexto até 1881, na Norma Anti-poligamia. [15]

______________

Fontes:

Texto traduzido e adaptado de:

Notas:
1 - Cannon e Cook 1983, 167. Em: http://www.sidneyrigdon.com/features/hiram2.htm
2 -  Ver mais detalhes na carta de Thomas B. Marsh no Elder’s Journal, julho de 1838, 45-46. Marsh estava preocupado "com os relatos sujos e falsos" que estavam circulando, mas ele garantiu à Smith que "ninguém, além daqueles que desejam a sua destruição, irá acreditar neles, e presumimos que os testemunhos acima serão suficientes para calar a boca do caluniador. "
4 - History of the Church 3:1
5 The following list of charges is from the "Far West Record": "1st, For stirring up the enemy to persecute the brethren by urging on vexatious Lawsuits and thus distressing the innocent. 2nd, For seeking to destroy the character of President Joseph Smith Jr by falsly insinuating that he was guilty of adultry &c. 3rd, For treating the Church with contempt by not attending meetings. 4th, For virtually denying the faith by declaring that he would not be governed by any ecclesiastical authority nor Revelation whatever in his temporal affairs. 5th, For selling his lands in Jackson county contrary to the Revelations. 6th, For writing and sending an insulting letter to President T. B. Marsh while on the High Council, attending to the duties of his office, as President of the council and by insulting the whole Council with the contents of said letter. 7th, For leaving the calling, in which God had appointed him, by Revelation, for the sake of filthy lucre, and turning to the practice of the Law. 8th, For disgracing the Church by being connected in the "Bogus business" as common report says. 9th, For dishonestly retaining notes after they had been paid and finally for leaving or forsaking the cause of God, and betaking himself to the beggerly elements of the world and neglecting his high and Holy Calling contrary to his profession."
7 - Richard S. Van Wagoner, Sidney Rigdon, p.291
10 –Se Alger engravidou em 1835, o bebê morreu ou foi criado por outra pessoa. Seu primeiro filho conhecido, listado no censo em 1850, da cidade de Dublin, Indiana, foi uma filha nascida em 1840.
12 - Orson F. Whitney, Life of Heber C. Kimball, Salt Lake City: Bookcraft, 1945, 82.
13 -Samuel H. Smith registrou em seu diário, em 24 de junho de 1832: "Em Boston. Realizamos uma reunião [na casa de] Fanny Brewers..." Eles também realizaram outras reuniões na casa de Fanny Brewer em 25 e 27 de junho; 1 e 8 de julho, e em outras datas. Samuel, em 29 de julho de 1832, em seu diário, escreveu: "Realizamos uma reunião na [casa da] irmã Brewer. Pregamos na manhã e depois batizamos dois, Fanny Brewer e Maria Voce ..." (Samuel H. Smith Journal, CHL, Ms 4213.)
14 - John C. Bennett, The History of the Saints: Or an Exposé of Joe Smith and Mormonism. Boston: Leland & Whiting, 1842, 85-86. 
Fanny Alger não era órfã, mas uma empregada doméstica na casa dos Smith. Um relato posterior do dissidente Winchester Benjamin afirma: " [Em 1835], houve muito escândalo dentre um número de Santos sobre a conduta licenciosa de Joseph, mais especificamente entre as mulheres. O nome de Joseph foi então ligado a relações escandalosas com duas ou três famílias." (“Primitive Mormonism,” The Salt Lake Daily Tribune, September 22, 1889, 2.)
15 - “Sketches from the History of Polygamy: Joseph Smith’s [indecipherable] Revelations,” Anti-Polygamy Standard, April, 1881, Salt Lake City, vol. 2 no. 1, p. 1.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

JOSEPH SMITH E A POLIANDRIA - PARTE1

POLIANDRIA – PARTE 1

Que os mórmons praticaram a poligamia nos primeiros dias da igreja é bem conhecido. 

O que muitos não sabem, porém, é que Joseph Smith estava muito envolvido com a poligamia e tomou pelo menos 11 mulheres que já estavam casadas com outros homens, ao mesmo tempo. 

A relação que estas mulheres desenvolveram com Joseph Smith é chamada de POLIANDRIA.



Mais especificamente, por poliandria (grego: poly- muitos, andros- homem) entende-se a união em que uma só mulher é ligada a dois ou mais maridos ao mesmo tempo.

Isto é particularmente problemático, pois estas mulheres permaneceram casadas com seu primeiro marido e ao mesmo tempo casadas com Joseph. Em seu livro, In Sacred Loneliness, Dr. Todd Compton escreveu:

"A poliandria é um dos principais problemas encontrados na poligamia de Smith e muitas questões a rodeiam. Primeiramente, por que ele preferia casamentos poliândricos? ... 

"Um equívoco comum sobre a poliandria e Joseph Smith é a de que ele participou de apenas uma ou duas dessas uniões não usuais. Porém, um terço de suas esposas plurais (onze delas) eram casadas civilmente com outros homens quando se casaram com ele. Se alguém usar uma perspectiva cronológica, percebemos que das primeiras doze mulheres de Smith, nove eram poliândricas. Portanto, neste período inicial, a poliandria foi a norma e não a exceção ...

"A poliandria seria mais fácil de ser entendida se esses casamentos com Smith fossem vistos como uma espécie de divórcio de fato com o primeiro marido. Entanto, nenhuma destas mulheres divorciaram-se de seus ‘primeiros maridos’ enquanto Smith estava vivo, e todas elas continuaram a viver com seus  cônjuges civil enquanto casadas com Smith...

"Em onze casamentos poliândricos, apenas três dos maridos eram não-mórmons (Lightner, Sayers, e Cleveland) e apenas um ficou descontente (Buell). Todos os outros maridos estavam em boa situação na igreja no momento em que Joseph se casou com as suas esposas. Muitos eram proeminentes líderes da igreja e amigos próximos de Smith. George W. Harris foi um alto conselheiro... uma posição equivalente à uma autoridade geral do século XX. Jacobs Henry foi um amigo dedicado de Joseph e um fiel missionário. Orson Hyde era um apóstolo em missão à Palestina quando Smith se casou com sua esposa. Jonathan Holmes era um dos guarda-costas de Smith... Windsor Lyon era um membro em boa posição quando Smith uniu-se à Sylvia Lyon, e ele emprestou dinheiro ao profeta após o casamento. David Sessions foi um devoto SUD." (Todd Compton, In Sacred Loneliness, pp. 15-16)

Como os casamentos de Joseph, com mulheres que já eram casadas com membros da igreja, podem ser justificados? 

De acordo com o historiador Edward McNall Burns: 

"(a poliandria) parece desenvolver-se sob condições de extrema pobreza, em que vários homens precisam reunir os seus recursos para comprar ou sustentar uma esposa, ou em que o infanticídio feminino é praticado como meio de controlar o crescimento da população. Este último costume não tarda a produzir um excesso de indivíduos masculinos". (BURNS, Edward McNall, "História da Civilização Ocidental", traduzido por Lourival Gomes Machado, Lourdes Santos Machado e Leonel Vallando (1974), Porto Alegre: Editora Globo).

Certamente, a extrema pobreza não foi a geradora da poliandria. Ao contrário, conforme discutido anteriormente, foi devido à poligamia que algumas mulheres foram submetidas à extrema pobreza (veja AQUI).


Brigham Young ofereceu outra explicação para o propósito da poligamia: propagar a vida através das famílias dignas:

"Há uma multidão de espíritos puros e santos esperando para receberem seus tabernáculos. Agora este é o nosso dever: preparar moradas para eles. Devemos tomar um curso que não permita que estes espíritos sejam conduzidos para  famílias de ímpios, onde serão treinados em malícia, devassidão e toda espécie de crime. É dever de todo homem e mulher justos prepararem tabernáculos para todos os espíritos que puderem. Essa é a razão pela qual a doutrina da pluralidade de esposas foi revelada, para que os espíritos nobres, que estão à espera de tabernáculos, possam nascer." (Discourses of Brigham Young, 1977 edition, p. 197)

É evidente que este também não poderia ser o propósito dos muitos casamentos poliândricos de Joseph, uma vez que estas mulheres já estavam casadas com homens justos. 

Talvez o objetivo da poliandria foi, em vez disso, como Jedediah Grant (Segundo Conselheiro de Brigham Young) afirmou, uma prova de fé:

"... Será que o Profeta Joseph queria todas as esposas dos homens que ele pediu? Não... O grande objetivo em vista, era provar o povo de Deus, para ver como eles estavam."(Journal of Discourses, vol. 2 (1855), p. 14)

O número correto e total de esposas plurais de Joseph é desconhecido. Andrew Jenson, que foi historiador assistente da Igreja, fez uma lista de 27 mulheres que foram seladas à Joseph. Porém, o autor mórmon John Stewart afirma que Joseph

"casou-se com muitas outras mulheres, talvez três ou quatro dúzias ou mais ..." (Brigham Young and His Wives, p. 31)

Fawn Brodie, em No Man Knows My History, incluiu uma lista de 48 mulheres que podem ter sido casadas com Joseph Smith. Stanley Ivins, que foi considerado "uma das grandes autoridades em poligamia mórmon", disse que o número de esposas de Joseph Smith "só pode ser imaginado, mas pode ter sido tão alto quanto sessenta ou mais." (Western Humanities Review, vol. 10, pp. 232-233) (veja mais AQUI)

Encontrar documentação dos casamento plurais é difícil, pois a doutrina foi instituída e praticada sob uma névoa de segredo, ocultação pública, e mentiras. Porém, está claro que a poligamia de Joseph claramente incluía esposas de outros homens. 

A maior prova deste comportamento de Joseph foi um sermão dado no Tabernáculo por Jedediah Grant, em 19 de fevereiro de 1854 (foto abaixo do sermão):

"Quando a organização familiar foi revelada do céu -  a ordem patriarcal de Deus, e Joseph começou, de todas as formas, adicionar [esposas] à sua família, que tremor houve em Israel".

“Dizia um irmão para o outro:

" ‘Joseph diz que todos os convênios [casamentos anteriores] estão acabados, e nenhum deles é válido, mas apenas a nova aliança [casamento com o poder de selamento do sacerdócio]. Agora suponha que Joseph viesse e dissesse que ele queria a sua esposa, o que você diria disso?’

" ‘Eu mandaria ele ir para o inferno.’

"Este era o espírito de muitos nos primórdios da Igreja.... O que um homem de Deus diria, quem se sentiria bem, quando Joseph pedia dinheiro? [ele o daria de bom grado] Ou se ele chegasse e dissesse: ‘Quero que a sua mulher'? ‘Ah sim’, ele diria: ‘Aqui está ela, existem muitas mais’.

"... Será que o Profeta Joseph queria todas as esposas dos homens que ele pediu? Não... O grande objetivo em vista, era provar o povo de Deus, para ver como eles estavam. Se um homem de Deus vier à mim e disser:

" ‘Eu quero o seu ouro e prata, ou a sua esposa’, eu deveria dizer:

" ‘Aqui estão, eu gostaria de ter mais para lhe dar, tome tudo que eu tenho’.

"Um homem que tem o Espírito de Deus e a luz da eternidade nele, não tem problemas sobre tais questões." (Apóstolo Jedediah M. Grant, segundo conselheiro de Brigham Young e pai do Presidente Heber J. Grant - Journal of Discourses 2: 13-14)

Fotografia do Journal of Discourses, vol.2, p.14. Jerediah M. Grant admite abertamente que Joseph Smith pediu pelas esposas de outros homens.

Ann Eliza Young, que foi casada com a Brigham Young, acusou Joseph Smith de ser culpado de adultério:

"Joseph não apenas tomou as mulheres jovens e solteiras, mas ele procurou uma ‘aliança espiritual’ com muitas senhoras casadas ... Ele ensinou-lhes que todos os casamentos anteriores eram nulos, e que elas estavam em perfeita liberdade para fazer uma outra escolha de um marido. Os convênios do casamento não eram válidos, porque eles só foram ratificadas por leis dos gentios ... consequentemente, todas as mulheres eram livres ...

"Uma mulher disse-me, há pouco tempo, enquanto compartilhava comigo algumas das suas experiências na poligamia:

" ‘A maior prova que já sofri em minha vida foi morar com meu marido e enganá-lo, recebendo atenções de Joseph sempre que ele decidia vir a mim'.

"Esta mulher e outras, cujas experiências tem sido muito semelhantes, estão entre as melhores mulheres da igreja. Elas são as mulheres mais virtuosas e puras de espírito do que qualquer outra no mundo. Elas foram seduzidas sob o disfarce da religião ...

"Algumas dessas mulheres, desde então, disseram que não sabiam quem era o pai dos seus filhos, o que não é de se admirar, pois após a declaração de Joseph, que anula todos os casamentos dos gentios, a maior promiscuidade foi praticada e, na verdade, todo o senso de moralidade parecia ter sido perdido, pelo menos em parte da igreja." (Wife No. 19, 1876, pp. 70-71)

Patty Bartlett Sessions, a esposa de David Sessions, deixou claro em seu diário particular que ela era casada com Joseph Smith tanto pelo tempo quanto pela eternidade :

"Eu fui selada a Joseph Smith por Willard Richards em 9 de março de 1842, na câmara de Newel K. Whitney, Nauvoo, para o tempo e toda a eternidade ... Sylvia, minha filha estava presente quando eu fui selada a Joseph Smith." (Journal of Patty Sessions, as quoted in Intimate Disciple, Portrait of Willard Richards, 1957, p. 611)

Abaixo, encontra-se a lista das esposas de Joseph que são conhecidas, e as que eram casadas (do website Remembering the Wives of Joseph Smith.)


ESPOSA
DATA
IDADE
MARIDO*
Jan 1827
22

1833
16

1838
37
George W. Harris
Apr 1841
26

Oct 1841
20
Henry Jacobs
Dec 1841
31
Norman Buell
Jan 1842
33

Feb 1842
23
Windsor Lyon
Feb 1842
23
Adam Lightner
Mar 1842
47
David Sessions
Apr 1842
27
Orson Hyde
Jun 1842
50
Jabez Durfee
Jun 1842
53
John Cleveland
Jul 1842
37

Jun 1842
38

Jul 1842
17

Aug 1842
37

Feb 1843
33
Edward Sayers
Spring 1843
16

Mar 1843
19

Mar 1843
22

Apr 1843
30

May 1843
17

May 1843
17

May 1843
19

May 1843
14

Mid 1843
29

Jun 1843
29
Jonathan Holmes
Jun 1843
58

Jul 1843
32

Mid 1843
27

Sep 1843
19

1843
14

Nov 1843
56

* Marido vivo na época do casamento de Joseph Smith




Note os seguintes exemplos de poliandria de Joseph:

  • Mary Elizabeth Rollins casou-se com Adam Lightner on 11 Aug 1835.
  • O filho deles, George Algernon Lightner nasceu em 22 Mar 1842.
  • Adam Lightner morreu em 30 Aug 1885.
  • Joseph Smith casou-se com Mary Elizabeth Rollins em 17 Jan 1842, quando ela estava grávida de sete meses (Adam Lightner era o pai, ou Joseph Smith?).
  • Zina Diantha Huntington casou-se com Henry Bailey Jacobs em 7 Mar 1841.
  • Henry Bailey Jacobs morreu em 1 Aug 1886.
  • Joseph Smith casou-se com Zina Diantha Huntington em 27 Oct 1841, cerca de sete meses e meio após ela casar-se com Henry.
  • Prescendia Lathrop Huntington casou-se com Norman Buell em 6 Jan 1828.
  • Não há dados da data da morte de Norman Buell.
  • Joseph Smith casou-se com Prescendia Lathrop Huntington em 11 Dec 1841.


Será que alguém, em plena faculdade de seu intelecto e razão, ainda tem coragem de afirmar que este foi um mandamento de Deus? Ou mesmo que estes casamentos eram apenas espirituais?


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